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7 dicas para realizar um ótimo diferimento de pastagens

Técnica ajuda a mitigar as emissões de gases de efeito estufa associadas ao gado


Dono do maior rebanho comercial bovino do mundo, o país recorre a tecnologias para mitigar as emissões de gases de efeito estufa associadas ao gado. | Foto: iStock
Dono do maior rebanho comercial bovino do mundo, o país recorre a tecnologias para mitigar as emissões de gases de efeito estufa associadas ao gado. | Foto: iStock

O diferimento de pastagem é uma boa estratégia para o período da seca? Essa é uma das principais perguntas que os pecuaristas fazem sobre essa tecnologia. Como toda tecnologia aplicada ao manejo de pastagem, ela precisa ser feita com técnica, estratégia e boas tomadas de decisões.


Por isso, nós vamos discutir nesse artigo sobre os principais pontos a serem considerados para adotar o diferimento de pastagem em sua fazenda, além de trazer 7 dicas de ouro que te ajudarão a melhorar ainda mais a adoção dessa tecnologia, contribuindo ainda mais nas estratégias de enfrentamento da seca em sua fazenda.


Produção a pasto: o papel das boas tomadas de decisões

O pasto é a principal fonte de alimento do rebanho bovino nacional, sendo que, mais de 90% dos animais abatidos no país são criados, recriados e terminados a pasto, característica que torna a nossa pecuária brasileira tão competitiva no mundo. Contudo, a sazonalidade climática faz com que ocorra variação na oferta e na qualidade do pasto ao longo do ano. No Brasil central, por exemplo, 80% da produção anual de forragem está concentrada nos meses de outubro a março (águas) e apenas 20% de abril a setembro (seca), principalmente pelo efeito da redução das chuvas, luz e temperatura sobre o crescimento e qualidade do pasto.


Diferente da oferta, a demanda por forragem é constante ao longo do ano, isso faz com que, inevitavelmente, o produtor tenha que reduzir o tamanho do rebanho ou até mesmo vender todos os animais durante o período de seca, quando isso não ocorre, os efeitos negativos são devastadores, prejudicando assim a viabilidade da atividade, além de contribuir para a degradação da pastagem.


Nesse contexto, o diferimento de pastagens pode ser uma alternativa viável para contornar essa condição, garantindo assim forragem suficiente para alimentar todo o rebanho durante o período seco do ano, o que contribuirá na gestão operacional de sua fazenda. Diante disso, vamos entender melhor o que é essa técnica e quais os critérios para o seu uso.


Diferimento de pastagem: tecnologia de processo eficiente!

O diferimento de pastagem consiste em vedar uma determinada área (retirar do pastejo), geralmente no final do período das águas, para que acumule forragem para ser consumida pelos animais durante a seca.


O diferimento do pasto geralmente é recomendado para fazendas onde a taxa de lotação não seja superior a 1,5 UA/ha/ano. Porém, em regiões onde a quantidade de chuvas é maior e bem distribuídas ao longo do ano, o período de seca é menor, permitindo assim o uso dessa técnica em fazendas com lotação de até 3,0 UA/ha/ano. Já o tamanho da área diferida depende da taxa de lotação anual da propriedade, da taxa de lotação da área não diferida e da produção de forragem da área diferida e, consequentemente da sua capacidade de suporte.


Contudo, como o diferimento é uma técnica que retira uma determinada área do pastejo no final das águas, a escolha do tamanho da área não deve ser superior a 40% da área total de pastagem para não impactar a taxa de lotação e sobrecarregar as demais áreas da fazenda.


Nesse contexto é essencial que você saiba realizar um ótimo planejamento operacional para o período da seca, utilizando de todas as estratégias disponíveis que possam dar suporte para o diferimento de pastagem.


7 dicas para adotar o diferimento de pastagem

Agora que sabemos o que é o diferimento de pastagens e os critérios que devemos ter para sua adoção, nós vamos te passar 7 dicas de ouro que te ajudarão a melhorar ainda mais a adoção dessa tecnologia, contribuindo ainda mais nas estratégias de enfrentamento da seca em sua fazenda.


1ª Dica - Época de diferimento

O diferimento ou vedação do pasto é feito no final das águas, que varia de região para região, sendo que, uma regra prática seria a vedação do pasto cerca de 30 a 40 dias antes do fator climático (falta de chuvas e baixa temperatura) limitar o crescimento da forrageira. No Brasil central, a melhor época de vedação seria de fevereiro a março.


2ª Dica - Escolha do capim

No geral, as espécies utilizadas para ao diferimento são aquelas que apresentam crescimento prostrado ou decumbente de porte baixo, colmo fino, boa relação folha/colmo e bom crescimento durante o outono, em especial as gramíneas do gênero Brachiaria (Marandu, Piatã e Paiaguás) e Cynodon (Estrela, Coastcross e Tifton) são as mais indicadas.


3ª Dica - Duração do diferimento

Nesse período, o pasto ficará sem animais para que possa acumular forragem, sendo que, quanto maior for o período de duração menor será a qualidade da forragem e maior serão as suas perdas. Porém, quanto menor o período de duração menor será a produtividade, que pode ser insuficiente para alimentar o rebanho na seca. Portanto, devemos trabalhar com períodos intermediários de 60 a 90 dias.


4ª Dica - Altura do pasto

Como o objetivo é acumular forragem para a seca, rebaixar o pasto antes do diferimento é recomendado a fim de se remover a forragem velha e morta para melhorar a rebrota e a formação de novas folhas e perfilhos. Nesse caso, rebaixar o pasto a uma altura entre 10 a 20 cm se torna interessante.


5ª Dica - Diferimento escalonado

O diferimento escalonado nada mais é que a subdivisão da área a ser diferida em diferentes épocas, ou seja, ao invés de diferir uma única área e utilizá-la em uma única data, realiza-se a subdivisão da área para serem diferidas em épocas diferentes. Por exemplo: 40% da área total no início de fevereiro para ser utilizada de maio até julho e 60% diferidos em março para ser utilizada de agosto até outubro.


6ª Dica - Adubação nitrogenada

A adubação nitrogenada pode ser utilizada com o objetivo de aumentar a massa de forragem e, consequentemente, a taxa de lotação na área diferida ou ser utilizada para reduzir a tempo de duração do diferimento, além de promover flexibilização quanto ao início do período de diferimento. A dose recomendada varia de 40 a 80 kg de N/ha.


7ª Dica - Suplementação de animais em pasto diferido

No geral, a forragem diferida é de baixa qualidade, pois o objetivo é garantir massa de forragem para o período de seca. Nessa condição, os bovinos expressam baixo desempenho que pode ser melhorada através da utilização da suplementação proteica ou proteica energética. O tipo e nível de suplemento, depende do desempenho esperado e da qualidade do pasto diferido, sendo que, os níveis mais utilizados variam de 0,1 a 0,3% do peso vivo. Acesse o nosso artigo: Suplementação em sistemas a pasto – Por onde começar?


Autor: Angel Amaral Seixas, Dr. em Zootecnia

Fonte: Bovexo. Clique aqui para conhecer a ferramenta!



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