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Atenção! Saiba o que vai acontecer com o mercado de commodities

Conflitos internacionais, clima no início do plantio e eleições devem estar no radar dos agricultores

Grãos de soja
Produtores devem estar ligados na volatilidade do mercado nos próximos meses | Foto: Unsplash

Alguns temas importantes devem ficar no radar dos produtores rurais nas próximas semanas. Apesar do mercado da soja nas bolsas internacionais ter mostrado uma recuperação nos últimos dias, os agricultores brasileiros devem estar de olho no clima para o início do plantio no país, no comportamento da demanda e no sentimento financeiro nos próximos meses, além de tantos eventos políticos, como as eleições presidenciais em outubro e conflitos internacionais, que também devem impactar a economia brasileira.


As previsões para o mercado de commodities agrícolas foi o tema de mais um Papo de Agro, que contou com a participação do apresentador do programa Tempo & Dinheiro João Batista Olivi e do especialista em commodities e derivativos, Maurício Belinello.


Previsões para o mercado da soja

Nos últimos dias, os futuros da soja fecharam o pregão na Bolsa de Chicago com leves altas, com o mês de novembro sendo cotado a US$ 13,86 e março a US$ 13,94 por bushel. Apesar das quedas amenizadas, o mundo inteiro passa por situações turbulentas que devem deixar os agricultores em estado de alerta. “A Europa passa por problemas neste momento que devem impactar a economia de muitos países, incluindo o nosso. A Suíça, por exemplo, mesmo sendo um país tão rico, está se preparando para uma possível escassez de energia neste inverno. Isso porque ela é dependente do gás russo e a guerra entre Rússia e Ucrânia não dá sinais de término por enquanto. Com tudo isso, está faltando gente para comprar os grãos, é claro. Nesse mercado, manda quem compra, não quem vende. Durante essa época de recessão, as commodities não se sustentam mesmo.” enfatizou Maurício Belinello.


Safra recorde na produção de grãos

Segundo o último levantamento da Conab, a safra de grãos de 2021/2022 atingiu um recorde histórico de produção. Foram mais de 271 milhões de toneladas produzidas, 14,5 milhões de toneladas a mais que na safra anterior. Um valor tão positivo, é claro, deve impulsionar a economia brasileira no próximo ano, além de aumentar as exportações. “A tecnologia é a grande responsável por esse crescimento todo. Lembro da época em que eu era mais jovem, em que tínhamos uma produção de cerca de 80 milhões de toneladas por safra. Crescemos muito e muito rápido, e tudo isso é resultado da tecnologia, mas também do trabalho dos agricultores.”, salienta João Olivi.


Dólar, eleições e o mercado de commodities

Para Maurício Belinello, a economia brasileira não deve sofrer alterações bruscas, mesmo que haja uma mudança na eleição do próximo presidente do país e faz comentários sobre o comportamento do dólar durante esse período. “O que leva ou traz dinheiro para o Brasil são os juros. O mercado só não gosta de indefinição. Agora, o mercado tem demonstrado que não há nenhuma alteração relevante, independentemente de quem ganhe as eleições”.

Sobre o cenário externo, as projeções seguem negativas. O mercado externo passa por um aumento na taxa de juros, o que representa uma forte insegurança dos investidores, os principais bancos centrais europeus estão aumentando os juros, os Estados Unidos seguem o mesmo caminho e tudo isso, é claro, deve afetar o Brasil financeiramente e no mercado de commodities”, pontua Maurício.


Início de plantio no Brasil e perspectivas para o próximo ano

Para este ano, custos altos no preço de insumos e fertilizantes e soja na casa dos US$ 13,00, o risco é de muitos agricultores não conseguirem fechar as contas. “O agricultor terá uma safra apertada, e se eu fosse agricultor teria o máximo de cuidado com os custos, saber como investir o meu dinheiro e não ficar com ele parado”, destaca Maurício.


“Quando a gente fala pra fazer travas, os produtores pensam que é pra travar toda a safra de uma vez e não é assim. O agricultor precisa começar aos poucos, avaliando os valores no mercado, se os preços estão bons e ao fim faz uma média das suas travas, no final seus preços estarão seguros e preservados dessa volatilidade do mercado. Quando os produtores de soja perdem, todos nós perdemos. Por isso quero que eles faturem muito nesta próxima safra”,realça João Olivi.


Apesar do momento econômico e político turbulentos, há uma luz no fim do túnel e o Brasil pode passar, nos próximos anos, por um período de expansão econômica. “Acredito que aqui pode acontecer como foi entre 2002 e 2007. Hoje, infelizmente, 79% das famílias brasileiras estão endividadas, 25% com contas em atraso. Mas, com a provável redução desse endividamento e o aumento da massa salarial, essa onda de expansão pode chegar ao nosso país em breve”, diz Maurício.


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