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Commodities: saiba tudo o que pode afetar o seu bolso na safra de 2023

Pós-eleição, clima, Fundeinfra e problema dos insumos têm preocupado os produtores rurais

Foto: Pixabay

O mercado brasileiro, tanto de câmbio como de commodities, está enfrentando variações rápidas dia após dia, principalmente após o resultado das eleições presidenciais deste ano. Diante desse cenário, os produtores rurais precisam agir rápido e saber como se proteger das possíveis perdas de dinheiro, além de se preocuparem com outros fatores que podem afetar a próxima safra 2022/2023, que já está em pleno andamento por todo o país.

Esses foram assuntos de mais um Papo de Agro, que contou com a participação do especialista em commodities, Maurício Bellinello, e do apresentador do programa Tempo & Dinheiro, João Batista Olivi.


Qual o caminho para o produtor rural se proteger da agitação do mercado?

Segundo Maurício, a volatilidade econômica no contexto pós-eleição no Brasil sempre foi comum. Isso porque, para o mercado, quanto maior o nível de indefinição – seja política ou econômica – mais “estresse” isso causa. “Por isso, travar o preço do dólar é a principal dica que posso dar para os agricultores nesse momento. Faça NDF”. O NDF é um tipo de contrato a termo que serve para fixar, antecipadamente, uma taxa de câmbio em uma data futura.


“Ou seja, vá ao gerente do seu banco e trave alguma quantidade de dólares para algum mês à frente. Isso vai te custar muito pouco e assim você não fica à mercê da volatilidade do dólar”, completou João Olivi.


PL do Fundeinfra: mais uma preocupação para os produtores?

No início de novembro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, apresentou um projeto de lei um tanto quanto polêmico e que não vem agradando várias entidades do agro (como Faeg e Aprosoja) e produtores rurais pelo país. Trata-se do Fundeinfra, que tem como objetivo aumentar o fundo estadual para a infraestrutura, taxando o agronegócio em mais de 1,6%. “Na minha opinião, essa PL ‘subiu no telhado’ e não será aprovada. Os produtores rurais não gostaram e já estão resistindo a esse projeto. Mas, precisamos acompanhar de perto as decisões que serão tomadas nos próximos meses”, pontuou João Olivi.


Análise do mercado de commodities: soja, café e o problema dos insumos

Para Maurício Bellinello, ainda é muito cedo para apontar um valor em produtividade para a soja, mas é possível fazer algumas previsões. “A normalização dos estoques da soja podem ocorrer nesta safra, o que pressiona a cotação para baixo. Mas, no melhor cenário, não vejo a soja indo para baixo dos U $13,00. Mas ainda há chances de novas altas, vamos acompanhar”.


“O café está com preços em queda também, mas para 2023 esperamos uma safra cheia, embora isso por si só não seja capaz de eliminar o problema do estoque dessa commoditie”, disse o especialista.


O que tem gerado mais preocupação aos produtores rurais atualmente? João Olivi responde. “Além do clima, é claro, que vem afetando algumas regiões, principalmente do Centro-Oeste, onde as chuvas não estão sendo suficientes nesse início de safra, a política é um fator que dá dor de cabeça aos produtores. Mas não acho que isso vai afetar tanto o valor final da produção brasileira”.


Sobre o preço dos insumos, Maurício pontua dois fatores principais que encareceram rápido o preço dos principais insumos para a produção de fertilizantes. “O aumento no valor dos fretes e a instabilidade na Rússia, provocada também pela guerra contra a Ucrânia, são fatores que fizeram com que o preço da ureia, que vem do gás natural (que subiu 12 vezes de preço na Europa em apenas dois anos), explodisse. Enquanto a situação da Rússia não se normalizar, esse problema deve continuar”, concluiu.


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