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Como ter uma safra de sucesso?

Clima, guerras e custos altos devem estar no radar do produtor rural nos próximos meses

Colheitadeira em campo de trigo
Mercado volátil e preços altos de insumos preocupam produtores rurais | Foto: Unsplash

Previsão de La Niña e outros fenômenos climáticos, guerra da Rússia contra a Ucrânia, o conflito cada vez mais tenso entre Estados Unidos, China e Taiwan e ainda a elevação de custos de produção. Essas são algumas das principais causas da volatilidade nos mercados nacionais e internacionais e assuntos dos quais os produtores rurais precisam se inteirar - e se preocupar - caso queiram ter uma boa safra 2022/2023.


Clima, mercado e seus impactos para os produtores rurais neste início de plantio foram temas da segunda live do Operação Plantio, que contou com a participação de Carla Mendes, editora-chefe do Notícias Agrícolas, Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, Ludmila Camparotto, também agrometeorologista da Rural Clima e Ronaldo Fernandes, analista de mercado da Royal Rural.


O que esperar do clima para a próxima safra?

A presença do fenômeno La Niña durante este início de safra é certa, mas, segundo Ludmila e Marco Antonio, isso não deve ser motivo de grande preocupação para os produtores rurais. “O La Niña deve diminuir ainda no final deste ano. Isso significa que as chuvas não serão tão fortes quando no ano passado, elas voltarão, sim, mas dentro de uma normalidade para a época”, destaca Ludmila.


Marco Antonio dos Santos complementa, salientando que os produtores rurais não têm motivos para pânico ou medo das próximas previsões. “É prematuro dizer que o La Niña vai secar o Sul e trazer muita chuva para a região do MATOPIBA. Todas as expectativas, até o momento, são de uma safra dentro da normalidade. Precisamos aguardar e avaliar com cautela o clima nas próximas semanas”.


Clima e a safra nos Estados Unidos impactam o mercado brasileiro?

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve lançar mais um relatório de projeções de estoques de produção de grãos no início de agosto. E agosto é um mês decisivo para a safra americana de soja, que deverá sofrer uma redução nessas projeções. Apesar disso, os analistas acreditam que a safra não deverá ser prejudicada ou sofrer grandes alterações por conta do clima. “Temos previsão de chuvas para o meio-oeste americano e, se isso for confirmado nas próximas semanas, os produtores americanos terão um ânimo a mais. Ainda há riscos de quebra de safra em algumas regiões, mas os preços na Bolsa de Chicago não sofrerão tanto impacto”, ressalta Marco Antonio.


“Dois estados são estratégicos quando falamos na produção de grãos americana: Iowa e Ilinóis. Indiana também é um estado bem relevante. Não teremos uma grande safra por lá, mesmo que alcancemos as previsões do USDA de 122 milhões de toneladas de soja. Esse número ainda pode mudar. A questão climática é decisiva para a produção desse grão agora em agosto e claro que o produtor brasileiro precisa acompanhar esses resultados”, completa Carla Mendes.


Conflitos geopolíticos, mercado e impactos para a safra no Brasil

A palavra do momento para o cenário diplomático, político e econômico global é preocupação. E todo o agronegócio brasileiro deverá sofrer fortes impactos dessa escalada de tensões e conflitos internacionais. “Os preços estão muito altos, estamos em um ano de guerra e na iminência do início de outras, e todos esses conflitos envolvem o fornecimento de insumos. Por isso, a situação para a próxima safra é preocupante, não por conta do risco de desabastecimento total, mas por conta dos preços, que sairão mais caros para os produtores”, destaca o analista Ronaldo Fernandes.


No mundo inteiro, só se fala da relação estremecida entre Estados Unidos e China e de uma guerra entre China e Taiwan, que já deu sinais de início após a visita - nada estimada - da presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan. “É muito provável que esse conflito aumente nos próximos dias. Nesse cenário a regra geral é: sobe commodities e sobe dólar”, ressalta Ronaldo, que também dá um alerta importante aos produtores: “São muitas questões a serem levadas em conta: os rescaldos econômicos da pandemia, a Guerra Russia x Ucrânia que ainda está impactando embarques de produtos agrícolas e já temos a previsão de mais uma guerra. Não é o momento para estar desprotegido. É a hora de fazer gestão de risco, porque agora é a hora da volatilidade do mercado”.


“A China, por exemplo, já quer o milho brasileiro o quanto antes, já avisou ao ministro Marcos Montes que não quer milho ano que vem, mas ainda esse ano. O farelo de soja é outra questão. Embora não seja uma grande compradora de farelo, a China também vai importar esse produto do Brasil. Isso é uma sinalização política e diplomática muito importante para o nosso país”, complementa Carla Mendes.


O que esperar para a próxima safra brasileira?

O mês de julho foi de temperaturas mais elevadas em várias regiões do país. Para agosto o clima deve continuar ameno, mas com passagem de frentes frias por alguns estados. As geadas, porém, estão descartadas da lista de preocupações dos produtores neste momento. “Essa chegada da massa polar deve ficar mais restrita ao sul do Brasil, mas as chuvas podem chegar a São Paulo e ao extremo sul de Minas Gerais, provocando uma queda na temperatura. Mas, mesmo assim, não é nada que traga grande preocupação aos produtores. Para o nordeste, há previsão de chuvas apenas para final de outubro e começo de novembro e ainda muito irregulares”, pontua Ludmila, da Rural Clima.


Para todos os analistas da Operação Plantio, a palavra de ordem para os produtores rurais brasileiros é planejamento. “É preciso se planejar para não haver risco de replantio, mas sem pânico e tomando cuidado com qualquer notícia errada sobre o clima. Acho que teremos uma safra muito boa pela frente”, diz Ludmila.


“Sejam empresários rurais. Invistam em gestão, em detalhamento dos custos de produção e garantia de renda. Gestão é tudo, porque temos uma vocação e um potencial gigantes para essa próxima temporada, mas é preciso se planejar”, destaca Carla Mendes.


“Com tudo isso, ainda temos a questão do diesel. Há um risco global de falta de abastecimento, então precisamos ficar de olho no andamento dos preços. Todo esse cenário de volatilidade, com todas essas questões geopolíticas e o clima, devem levar o produtor a se proteger ao máximo”, completa Ronaldo Fernandes.


Operação Plantio

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