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Jovem agricultor sonha em disseminar conhecimento no campo

Produtor e pesquisador, Mateus Sousa é um exemplo da diversidade que existe na juventude ruralista

Mateus no laboratório da faculdade. Foto via Instagram @mateus0314
Mateus no laboratório da faculdade. Foto via Instagram @mateus0314

Em Catolé do Rocha, na Paraíba, o jovem Mateus Sousa, de 25 anos, trabalha como voluntário em um laboratório de análises morfológicas e bioquímicas de vegetais, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Entre a rotina de cientista e pesquisador, o jaleco branco também dá espaço para as “botas” no campo. “Faço a reprodução de algumas plantas ornamentais para vender, pois além de colocar em prática aquilo que vejo na sala de aula, isso vai me proporcionar uma renda financeira”, pondera.


Agricultura familiar - Mateus é de uma família de agricultores e todos trabalham juntos no sítio da família, próximo à cidade de São Bento. Os pais e os tios plantam de tudo, como: arroz, feijão, gergelim, milho e batata doce. Após retirarem parte da produção para consumo próprio, eles vendem os produtos para amigos e conhecidos. É a verdadeira essência da agricultura familiar. Mateus, também, é estudante de Técnica em Agropecuária e procura adotar um manejo sustentável, fazendo adubação orgânica com esterco animal e tentando não usar produtos químicos no plantio.


Foto via Instagram @mateus0314
Foto via Instagram @mateus0314

Foco nos estudos - Assim como Mateus, o pai também se divide entre duas carreiras. José também trabalha com produção têxtil, paixão que cultiva há quase 20 anos. “Ele passou a se dedicar mais à agricultura. Atualmente, ele atua nas duas funções. Na verdade, a economia da cidade gira em torno da produção têxtil”, disse. Sobre a relação com o pai, Mateus conta que é grato pelo apoio que recebeu do seu patriarca para ir estudar e seguir os sonhos profissionais, mesmo quando o resto da família se mostrava contra. “E olha que fui o primeiro entre os oito netos a entrar na universidade. Muitos falavam que era melhor trabalhar do que estudar fora e longe de casa”, lembra.


Quanto aos sonhos e planos futuros, Mateus quer fazer uma pós-graduação na área de fitotecnia e usar tudo que aprendeu e desenvolveu ao longo dos seus três anos como pesquisador para poder ajudar no negócio da família e passar o conhecimento para frente, oferecendo assistência para pequenos e médios produtores rurais. “Muitos só têm o conhecimento próprio de seus antepassados, então pretendo levar o conhecimento especializado que venha a agregar junto com aquilo que eles já sabem”, disse.


LGBT - Mateus se sente orgulhoso e realizado pelo espaço conquistado por ele e por tantos outros membros da comunidade da LGBT, seja no meio profissional ou social. Sobre o campo, ele lamenta a visão intolerante que ainda existe por parte de alguns sobre sua opção sexual. “Vejo que ainda insistem em dizer que é coisa de ‘cabra macho', que não é coisa de gente ‘delicada’. Desprezam até as mulheres”, disse. Em setembro de 2021, Mateus participou da mesa redonda Juventude Rural: Protagonismo e Engajamento Nas Lutas Sociais, um evento de agroecologia realizado pelo Instituto Federal da Paraíba (IFPB). Durante o evento, Mateus também mostrou seu talento como escritor:


“Juventude no campo, na indústria, no movimento estudantil, na luta LGBTQIA+, na liderança de grupos religiosos, na conquista dos direitos trabalhistas e visibilidade do papel da mulher em todas as áreas de atuação, na quebra da visão machista de apenas o homem ter reconhecimento dos feitos desenvolvidos pelas mulheres e seus filhos na agricultura. Homem, jovem, poeta, decorador, cozinheiro, confeiteiro, supervisor, professor, gay, representante estudantil e jovem do campo. Prazer, eu”.

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