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Mulher no Agro: mídia é ferramenta na busca por igualdade

Updated: Mar 10

“Há diferenças entre homens e mulheres, mas elas devem servir como pontes”
Imagem via Unsplash

No “Papo de Agro” especial para o Dia Internacional da Mulher, a jornalista do Notícias Agrícolas, Carla Mendes, e a consultora em commodities agrícolas Andrea Cordeiro falaram sobre os desafios enfrentados pelas mulheres do setor, o encontro virtual debateu os avanços desse público em capacitação e sua relação com as mídias digitais.


Missão Mulheres no Agronegócio

Há quase 20 anos, o projeto trabalha para ampliar o espaço das mulheres no agronegócio, buscando influenciar líderes e ajudando a formar opiniões cada vez mais abertas. O “Missão Mulheres do Agro”, idealizado por Andrea Cordeiro, nasceu com o objetivo de provocar e incentivar a participação de mais mulheres em assuntos técnicos ligados ao Agro e inspirar essas profissionais a conquistarem altos cargos no setor, com reconhecimento. A jornalista Carla Mendes teve a oportunidade de conhecer o projeto. “Eu dizia que uma semana com as produtoras rurais era como um ano de redação. Estar com essas mulheres durante tanto tempo, trocando experiências que eu não tive em nenhuma circunstância, foi realmente enriquecedor para minha carreira”, disse.


Andrea Cordeiro é consultora em Commodities agrícolas e já carrega quase 25 anos de experiência de atuação no mercado de Agro, e também oferece palestras em congressos e feiras nacionais do setor. Além de ser idealizadora do movimento “Mulheres do Agronegócio Brasil”, Andrea também promove o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio. O primeiro congresso foi realizado em 2016 e rendeu pouca visibilidade, mas segundo Andrea, a última edição realizada já contou com a participação de mais de 3 mil congressistas.

“A mulher tem voz. Sempre teve. Ela só não era escutada”

A consultora ressalta a excelente atuação das mulheres na pecuária. “As mulheres estão dando um show na agropecuária”, disse. Andrea acredita que o machismo enraizado é o principal obstáculo para o aumento da participação feminina em cargos de gestão no campo e na agroindústria.

Andrea Cordeiro, idealizadora do blog "Missão Mulheres do Agro"
Andrea Cordeiro, idealizadora do blog "Missão Mulheres do Agro"

Comunicação e conectividade

Carla vê a comunicação como uma ferramenta importante e efetiva para as mulheres na busca por reconhecimento. Durante o “Papo de Agro”, a jornalista compartilhou uma mensagem que recebeu que a tocou. “O meu amigo me disse ‘espero pelo dia que vocês não tenham mais que lutar pelo óbvio’, que é a igualdade e ter o mesmo espaço. Antes da gente parar de lutar pelo óbvio, nós criamos espaço para isso. É trazer essas mulheres para o protagonismo, para luz dos debates e as colocarem na mesma circunstância de competência”, acredita.

“Nós temos que trabalhar para agregar mais e segregar menos”

Diferenças

Embora a jornalista tome como missão a busca e a compreensão do setor quanto à igualdade da mulher, Carla Mendes salienta que é preciso entender que há diferenças. “É importante entender que há diferenças sim entre homens e mulheres, mas as diferenças devem servir como pontes”, acredita.

Carla Mendes, jornalista do portal "Noticias Agrícolas"
Carla Mendes, jornalista do portal "Noticias Agrícolas"

Carla explica que quando o portal Notícias Agrícolas passou a oferecer mais espaço para as mulheres do setor como fontes, houve um retorno positivo e agregador para os temas em discussão. “Decidimos abrir essas pontes para ouvir essas mulheres e ter essas perspectivas diferentes das masculinas. A gente começou a ver um horizonte imenso de opiniões convergentes, com particularidades diferentes. Isso tem uma importância muito grande”, disse.

“Essa condição de respeitar as diferenças, mas sem mudar o patamar. Precisamos andar lado a lado”

Acesso à informação

Apesar do desafio da conectividade no campo, Carla analisa o produtor rural como alguém bem atuante nas mídias digitais e vê essas redes como espaços democráticos. “O produtor e o setor vêm mitigando esses desafios da conectividade. Ao democratizar também as informações, ajudaram principalmente na tomada de decisão dos produtores e produtoras rurais”, disse.


Marcas e público feminino

Olhar e se atentar aos detalhes, assim Carla resume de forma sucinta as peculiaridades da mulher do Agro. “Mulheres são mais detalhistas e se formam muito mais nos resultados mínimos”, disse. Questionada sobre o caminho ideal para comunicação entre as marcas do setor e as produtoras rurais, Carla explica que não basta entregar um produto detalhado. “A produtora também quer saber quando fazer, quanto e qual a melhor forma de fazer. Ela quer um feedback da marca. Se ela não alcançar um resultado, ela vai buscar entender porque ela não teve produtividade, vai fazer adequação da propriedade, vai alinhar maquinário e equipe, e vai se capacitar”, analisa.


Outro ponto que Carla salientou como avanço é a capacitação e formação. “As pesquisas mostram que as mulheres do Agro têm buscado muito mais capacitação, que ainda é uma dificuldade no setor”, se orgulha.

"Essas perspectivas de ir ao campo de batom, à pecuária de salto alto. São perspectivas legais que aproximam o público da marca. Tudo bem se a mulher quiser usar salto alto, mas tudo bem se a mulher quiser tênis também"

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