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Mulheres do Agronegócio cobram mudanças em estatutos

Updated: Mar 17

Sônia Bonato pede que entidades se atualizem
Imagem via Unsplash
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O dia 8 já passou, mas março continua sendo o mês dedicado às mulheres. Pensando nesse público que tem alcançado cada vez mais espaço no setor, o Agrobid realizou uma Confraria especial para elas. A produtora rural e embaixadora do Congresso Nacional das Mulheres do Agro, Sônia Bonato, e a presidente da Sociedade Rural Brasileira, Teresa Cristina Vendramini, falaram sobre a importância da capacitação em gestão, as conquistas alcançadas pelas lideranças femininas e os novos desafios. O encontro virtual contou com a mediação da jornalista Lilian Dias.


Superação

Em 1995, Sônia e o marido saíram do interior paulista para comprar uma propriedade rural em Goiás, próxima ao município de Ipameri. Até então, a experiência profissional de Sônia era como doméstica e vendedora de móveis e peças, então encarar a lida no campo foi o seu primeiro desafio na vida nova. “A gente não tinha um projeto e nenhum planejamento. Foi naquele jeitão de achar que tudo vai dar certo, então vamos trabalhar. No começo era somente eu e o meu marido. Nós não tínhamos renda para contratar pessoas”, lembra. Na época, a propriedade tinha poucas cabeças de gado e produzia apenas 60 litros de leite por dia, e Sônia entregava os produtos de casa em casa. Atualmente, na sua fazenda de 154 hectares, a família Bonato produz grãos e cria bezerros. Nós já contamos a história da Sônia por aqui, clique aqui para conferir.

Sônia Bonato
Sônia Bonato - Embaixadora do Congresso Nacional das Mulheres do Agro

Liderança

A atual presidente da Sociedade Rural Brasileira, Teresa Cristina Vendramini, nasceu no interior de São Paulo, no município de Adamantina. Sua família cria gado há mais de 80 anos e, por esse legado, Teresa se empenhou para administrar e assumir os negócios da propriedade. “Essa busca por estar sempre tentando fazer essa inovação faz parte do dia a dia do produtor rural, mas eu falo que eu cheguei à presidência da Sociedade Rural Brasileira porque sou produtora rural. Isso é o que mais me qualifica”, se orgulha. Com um currículo admirável, a empresária também teve a honra de ser a primeira mulher a presidir a Federação das Associações Rurais do Mercosul.


Capacitação

Pensando em crescer cada vez mais como produtora rural, Sônia se formou em contabilidade e procurou se aperfeiçoar acompanhando palestras e participando de cursos de gestão. “Quando você sabe o custo do que você produz, você consegue negociar melhor”, aconselha. Hoje, a mulher humilde que decidiu encarar o campo após o marido herdar uma área de terra, é embaixadora do Congresso Nacional das Mulheres do Agro.

Teresa Vendramini, que é formada em sociologia, vê com entusiasmo a busca por capacitação pelo público feminino do setor. “Nós estamos caminhando de uma maneira consistente. Hoje, as meninas estão dentro das ciências agrárias e da veterinária. Elas estão chegando extremamente preparadas e irão trazer e desenvolver algo muito melhor”, acredita.

Teresa Cristina Vendramini - Presidente da Sociedade Rural Brasileira
Teresa Cristina Vendramini - Presidente da Sociedade Rural Brasileira

As “Teresas Cristinas” do Agro

Não é apenas o nome que a presidente da Sociedade Rural Brasileira e a ministra da Agricultura têm em comum. As duas carregam paixão pelo Agro e têm conquistado posições de destaque, inspirando outras produtoras rurais a alcançarem outros patamares dentro do setor. De Teresa para Tereza, Vendramini vê com orgulho o trabalho desempenhado na pasta. “É uma conquista para todas nós mostrar o trabalho de eficiência que a ministra Tereza está fazendo. É um espetáculo a abertura de mercado, de trabalho prático e eficiente para o Agro que ela desempenhou nesses anos. E com certeza a figura feminina da Tereza, de alguma maneira, me ajuda muito, assim como ajuda a Sônia e tantas outras mulheres”, disse.


Casa

Como uma mulher multitarefa, Sônia disse que não enfrentou dificuldades para conciliar trabalho, família e a conquista de seus objetivos. “Eu trabalho, cuido da minha casa e ajudo nas finanças. Eu faço com que todas essas coisas se encaixem. O planejamento do dia é benéfico para você dividir o seu tempo”, defende.


Apelo

Ainda questionada sobre dificuldades, Sônia faz um apelo aos sindicatos rurais para mudarem um estatuto que obriga as mulheres a apresentar a inscrição estadual para filiar-se e as propriedades rurais só podem ser registradas com apenas uma inscrição, ou seja, um proprietário. Esse estatuto coloca Sônia em uma situação em que ela precisa arrendar as terras da sua propriedade para ser registrada, assim como o marido, como proprietária da terra e posteriormente conseguir sua inscrição estadual para finalmente conseguir se filiar aos sindicatos. “É uma diferença que não deveria existir. Os estatutos precisam se atualizar, porque estão mais velhos do que os dinossauros. As mulheres estão mais à frente”, brinca.


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