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O que sabemos sobre a qualidade do trabalho na agropecuária?

Artigo do Cepea analisa mudança de perfil e busca por qualificação entre trabalhadores do setor


Autor: Felipe Miranda de Souza Almeida

Pesquisador da área de macroeconomia do Cepea



Apesar de ser impactado pela covid-19, o mercado de trabalho do agronegócio brasileiro se mostrou resiliente nos últimos anos. A crise sanitária até potencializou a fragilidade do setor, mas a população ocupada (PO) mostrou sinais de recuperação ainda em 2020. Entre os segmentos do Agro, destaque é dado para a agropecuária. Houve uma expansão de 9,5%, ou de mais de 763 mil pessoas, na comparação com 2020. Desde a deflagração da pandemia de covid-19, o segmento apresentou menores perdas relativas de postos de trabalhos.


Método do Cepea

Apesar de acompanhar o nível de instrução e fazer uma análise por gênero, o Cepea se pauta na quantidade da população ocupada da agropecuária. Entretanto, a identificação deve considerar tanto a quantidade quanto a qualidade. A quantidade é mensurada pelo número de trabalhadores empregados, e a qualidade é pela produtividade de uma hora de trabalho, levando-se em consideração os efeitos da acumulação de escolaridade e de experiência, ou seja, de capital humano.


Neste contexto, o que sabemos sobre a qualidade do trabalho agropecuária brasileira? Para responder essa questão, calculamos o Índice de Qualidade do Trabalho na Agropecuária brasileira (IQT Agro) para o período entre 2012 e 2021. O que está por trás deste Índice é a estimação de determinação salarial minceriana, estruturada inicialmente para mensurar o impacto da educação nos rendimentos do trabalho. Assim, este indicador é construído a partir do encadeamento das taxas de crescimento da qualidade do trabalho.


Desemprego x escolaridade

Observa-se que, tanto para a agropecuária como para o Brasil como um todo, houve aumento da proporção de trabalhadores nas categorias com mais anos de escolaridade em detrimento daquelas com menos escolaridade. Estes são os que mais sofrem com a perda dos postos de trabalho em períodos de desaceleração e recessão econômica.


Além disso, apesar de apresentarem dinâmicas parecidas, observa-se que a composição da PO da agropecuária se concentra nas categorias de menor escolaridade, enquanto a PO do Brasil se concentra nas categorias de maiores anos de estudo (mais 12 anos). Esta distribuição, em especial na agropecuária, tem se alterado ao longo dos anos, com categorias com maiores anos de escolaridade ganhando representatividade. Este resultado também reforça que houve uma melhora da qualidade do trabalho no setor durante o período analisado, devido à maior qualificação da população ocupada.


2021

No ano passado, o IQT Agro apresentou reduções sucessivas. Este resultado está atrelado à boa conjuntura do agronegócio brasileiro, que se traduziu em mais postos para o segmento agropecuário. Ademais, se observa um crescimento da participação relativa dos grupos menos qualificados em comparação aos mais qualificados. Dito isso, evidencia-se que o processo recente de mudança no perfil de trabalhadores do setor contribuiu para se explicar o comportamento do IQT Agro.


Baixa remuneração

Por fim, destaca-se que ainda existe um gap na produtividade (medida pelo salário-hora), que se percebe quando se compara com a média do mercado de trabalho como um todo. Essa diferença ajuda a explicar a remuneração menor do setor.


Na literatura especializada há uma convergência no sentido de identificar a associação entre educação, experiência e qualidade da força de trabalho. É reconhecida a relevância de indicadores, como o IQT, para a mensuração da produtividade no mercado de trabalho.


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