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O segredo para lucrar com o Angus do campo à mesa

Criadores brasileiros ganham mais reconhecimento com certificação e boas práticas

Carne Angus é nobre e tem atraído atenção de criadores e consumidores no Brasil e no mundo | Foto: Unsplash

Produzir carne de qualidade não é tarefa para qualquer um. Um bom pecuarista precisa pensar em muitos problemas - e soluções - para a fazenda, para o pasto e para os seus animais. E, até chegar ao nosso prato no churrasco de domingo, a carne ainda passa por mais alguns processos nos mercados, frigoríficos e nos açougues. O Angus é um das raças que está ganhando cada vez mais destaque no mercado nacional, justamente por passar por todos esses processos com qualidade e muita eficiência.


Qual é o segredo para o sucesso da genética Angus? Como todos esses elos da cadeia produtiva se unem para entregar produtos certificados? Qual é o papel do açougueiro e do assador no preparo dessas carnes nobres? Esses foram alguns dos temas de mais um Papo de Agro, que contou com a presença de Nivaldo Dzyekanski, presidente da Associação Brasileira de Angus; Ana Doralina, gerente nacional do Carne Angus Certificada e Marcelo Bolinha, consultor em cortes de carne e churrasqueiro profissional.


Evolução da qualidade

A pecuária brasileira vive um grande momento. O país se tornou, em poucas décadas, um dos líderes na exportação de carne bovina e vem conquistando novos mercados a cada ano. As carnes premium certificadas seguiram essa evolução e contribuíram para esse rápido crescimento. É o que diz Nivaldo Dzyekanski, presidente da Associação do Angus. “Estamos em um momento muito bom e, apesar das dificuldades, como o aumento no preços dos insumos, a Angus colabora com essa pecuária, porque isso é uma missão para nós.”


Para Ana Doralina, o aumento nas vendas de carnes nobres para a China e Emirados Árabes é consequência de um trabalho em equipe para tornar a carne Angus uma carne de excelente qualidade. “Em 2021 tivemos um crescimento de mais de 50% no volume de carne Angus exportada para esses países. E o trabalho de certificação é quase artesanal, que vem sendo feito ao longo de anos e realmente está gerando carnes excelentes.”


Na ponta da cadeia produtiva, os açougueiros e consumidores concordam que a qualidade faz toda a diferença. Para o assador Marcelo Bolinha, “comprar uma carne certificada é muito bom, porque você sabe que aquela carne vem com boas características, tem mais confiança naquele produto. E quem é um açougueiro sem carne de qualidade? Ele não é ninguém!”.



O que ganha o pecuarista vendendo carne certificada?

Além de mais reconhecimento no mercado consumidor e facilidade no acesso a novos pólos de exportação, um produto certificado tem maior valor agregado. Isso significa ganhar mais dinheiro com carne de maior qualidade. “O produto certificado é organizado, padronizado. Ele passa por um processo rígido de avaliação e tratamento até chegar ao frigorífico. Isso volta para a indústria, que vê a demanda aumentando e procura mais fornecedores de carne premium. Assim, toda a roda desse setor começa a girar e gerar renda” , ressalta Ana Doralina.


Rodando pelo mundo fazendo churrascos em eventos nacionais e internacionais, Marcelo Bolinha garante que a carne brasileira é conhecida e apreciada em muitos países. “Estive na Irlanda e, ao saberem que eu era assador, elogiaram a “brazilian meat”, a carne brasileira. E, no mercado interno mesmo, as pessoas dão mais valor a cortes de carne que antigamente eram “de segunda”. Isso é um ganho e uma evolução para produtores e para os açougueiros”.


O desafio da sustentabilidade

A Carne Angus Certificada já possui um selo de sustentabilidade. Hoje, as propriedades que fazem parte dessa iniciativa adotam boas práticas, tanto na fazenda como no rebanho, para tentar produzir mais com menos. “Um bom pecuarista sabe que precisa ser sustentável, porque, sem matéria-prima, ele não tem como produzir bem. É do interesse do pecuarista preservar o meio ambiente”, diz Ana.


Bolinha complementa: “produzir carne, qualquer um produz. Produzir bem, alguns produzem, mas produzir muito bem, poucos produzem. Isso é um elo, é preciso haver produtores de carne que produzam adotando boas práticas, e é preciso haver churrasqueiros que entendam de churrasco, que saibam tratar e assar a carne quando ela chega na churrasqueira”.

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