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Os impactos de dois anos da La Niña no Agronegócio

Perdas significativas já são registradas na soja e milho do RS, SC, PR, sul do MS e Paraguai


No Papo de Agro, realizado nesta quarta-feira, dia 28, o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos, fez uma análise dos impactos do fenômeno La Niña no agronegócio brasileiro, onde as safras da região Sul estão sendo mais prejudicadas com a falta de chuvas. Durante o bate-papo, o meteorologista fez uma projeção do clima para os primeiros meses de 2022. Confira como vai estar a sua região.


“É mito que a La Niña está ganhando forças”

A La Niña da safra 2021/22 é menos intensa que a La Niña da safra 2020/21, devido à anomalia que está ocorrendo no Oceano Pacífico. Marco explica que quando há dois anos consecutivos de La Niña, a segunda tende a ser mais fraca, mas pode ser potencializada.


A sucessão do fenômeno tem impactado diretamente a região Sul do Brasil, principalmente o estado do Rio Grande do Sul. Além do Oceano Pacífico estar mais frio em toda a sua extensão, o Oceano Atlântico está muito frio na região Sudeste para baixo, então não vai chover. Segundo Marco, qualquer sistema de chuva precisa de água quente para alimentar esse sistema. “No ano passado, mesmo com a La Niña, o Rio Grande do Sul teve uma safra cheia, pois o Atlântico estava quente. Em anos de El Niño, como a safra 18/19, quando normalmente o Estado tem safra cheia, teve quebra, pois o Atlântico estava frio”, explica o meteorologista. O fato da La Niña estar persistindo em dezembro, pode estender o problema para janeiro, mantendo chuvas irregulares para região Sul. “Isso pode agravar não só o plantio de milho, mas também de soja na região”, alerta.



Live “Papo de Agro”. Foto via Instagram @agrobidnet
Donário Almeida, do Superbid, e Marco Antonio, da Rural Clima, na Live “Papo de Agro”. Foto via Instagram @agrobidnet

Ainda sobre a região Sul, a expectativa de volta da chuva é para a primeira semana de janeiro, nos Estados do Paraná, Santa Catarina e na região norte do Estado do Rio Grande do Sul. Mas Marco já deixa claro que o volume de chuva não vai reverter o quadro de seca para o produtor rural gaúcho. “As estiagens vão continuar ocorrendo, e isso vai aumentar a pressão de quebra”, disse. Há possibilidade de chuva para a região noroeste do Rio Grande do Sul na primeira semana de janeiro, mas serão chuvas de baixa intensidade e pontuais. A expectativa de mais volume será a partir da segunda semana do mês.


Climatologicamente, independentemente da La Niña, o verão na região Sul do Brasil já é seco. Nessa temporada, regiões como Sudeste, Centro-Oeste e Matopiba são chuvosas. É o efeito “gangorra”. Se chove no Norte, não chove no Sul. Na região do Estado de São Paulo, há uma tendência de chuvas regulares. O Estado pode ter frente fria com chuvas por, pelo menos, uma vez na semana, intercalando em chuvas mais ou menos intensas. Segundo Marco, é uma condição relativamente boa para os primeiros três meses do ano de 2022.


“Enquanto que no Rio Grande do Sul imploram por água, as lavouras do Maranhão imploram por sol”

Em boa parte da região do nordeste, há previsão de muita chuva para o começo de janeiro. No Estado do Maranhão, a expectativa é de volumes altíssimos. Marco ainda divulga que essa previsão de grande volume se estende para as regiões norte de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Minas Gerais, Pará e em todo o Matopiba. Já na Paraíba, na região do semiárido, há previsão de chuva para os primeiros três meses de 2022, mas ainda abaixo do ideal.


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