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Uma visão crítica do momento atual da agricultura: fertilizantes

O que aconteceria com o rendimento da soja caso a próxima safra não fosse adubada? Confira o artigo do pesquisador Áureo Lantmann

Autor: Áureo Francisco Lantmann

Eng. Agrônomo. CREA 3346.

Consultor e ex-pesquisador da Embrapa Soja



Considerando preços médios atuais, uma tonelada de adubo considerada uma composição média de NPK, para o cultivo da soja, gira em torno de R$ 6.000,00. Considerando-se que, em média, os agricultores aplicam 400 kg/ha de adubo, que significa aproximadamente R$ 2.400,00/ha, na safra, 22/23, e serão cultivados aproximadamente 40 milhões de hectares com a leguminosa, o que resulta numa movimentação financeira de R$ 96 bilhões. Uma quantidade significativa de recursos.


Durante mais de 40 anos, no Brasil, foram gerados um conjunto de tecnologias dirigidas para determinar as quantidades de fertilizantes para o cultivo da soja nas diferentes áreas de produção no território nacional. Mesmo assim, grande parte dos adubos são desperdiçados, pois critérios técnicos não são considerados, quando da definição das quantidades de fertilizantes, além das perdas relacionadas à forma de aplicação, erosão, escorrimento superficial e até um pouco de lixiviação, em solos muito arenosos.


Tenho feito uma pergunta para agrônomos, agricultores, técnicos/consultores e demais pessoas envolvidas no agronegócio da soja: o que aconteceria com o rendimento da soja caso a próxima safra não fosse adubada? resposta unânime, NADA, (com algumas ressalvas) ou seja os rendimentos e a consequente produção seria igual aos das últimas safras. Isso, obviamente, em áreas que vêm sendo tecnicamente bem manejadas (química, física e biologicamente) e o mais importante, que a chova adequadamente, principalmente durante as fases mais críticas da cultura. Afinal, a água sempre foi uma das principais “tecnologias” para obtenção de elevadas produtividades.


Tem-se hoje no campo uma série de casos em que a soja não tem sido adubada, com rendimentos girando em torno de 72 sacas/ha, acima da média nacional que é de 56 sacas/ha, na última safra. Isso é perfeitamente justificável, as ciências do solo, nas últimas décadas, produziram uma série de informações que permitem racionalizar o uso de fertilizantes sem nenhum risco à produção.


Em tempos de guerra, algumas armas, não bélicas, mas estratégicas, produto das ciências brasileiras, podem contribuir muito para a continuidade segura da nossa agricultura. Entre elas, podemos citar:


  • Avaliação do nível crítico dos nutrientes no solo;

  • Racionalização do uso de insumos, aplicando somente o estritamente necessário e com comprovação científica;

  • Semear no período mais adequado para cada cultivar;


Finalizando, será uma safra para premiar os bons produtores. Àqueles que ao longo da sua vida adotou manejos conservacionistas do solo, tem, pelo menos uma “poupança” de nutrientes no solo, faz, e toma decisão de adubar em função do histórico de produção e da análise de solo e acredita na ciência, e não em pseudociência, conseguir melhor superar por esse terrível momento histórico.


Por outro lado, o conflito no leste da Europa, escancarou nossa fragilidade em relação à crônica dependência de fertilizantes, em especial ao potássio. Mas existe uma ironia, poderíamos reduzir nossa extrema dependência se fosse explorada as reservas de potássio na Amazônia (respeitando TODAS as exigências legais). Mas o discurso anacrônico tem prevalecido em detrimento da segurança nacional. Até quando a gritaria da minoria irá superar a necessidade da maioria?



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